Raízes e brotinhos
Meu primeiro texto para meu primeiro filho
Antes de ser semente eu já era grão.
Grão que povoava o imaginário de quem em dado momento topou me plantar no mundo.
Tive a sorte de ser regada de amor, ser colocada sob a luz e ser protegida de algumas pragas - mas não de todas, afinal, também precisava fortalecer a haste.
Desabrochei tímida, mas floresci em ritmo e cores diferentes da minha base, como deve ser.
Há tempos me foi arrancada a mais forte das raízes, aquela que por tanto me nutriu e sustentou. Murchei instantaneamente. Me vi flor morta, esquecida num vaso quebrado meio a sala de estar.
Entre escassos feixes de luz, foram reaparecendo botões. Fui replantada em outras terras e vi meu reflorescer. Minhas folhas foram de encontro com outras, e desse arranjo a vida mais uma vez se fez, como ela é mesmo de prometer.
Inesperada, como também costuma ser, de duas vidas se faz uma nova, e de repente tem galhos plantados em mim. Eu já os sinto mexer. De repente, já não sou mais unitária, virei jardim e ele enflora, cresce a cada dia. Eu posso ver.
Até vir o dia
Enfim o dia
em que ele, que corajosamente fincou raízes em meu solo, com ainda mais coragem as rasgará, sairá, e nascerá me mostrando seus ramos.
Meu grão, meu broto, minha flor, meu filho Francisco.
Nathália Yohanna - Psicóloga Clínica
CRP: 05/62211
“Somos as palavras que trocamos”
Obrigada por ler!



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